|
O Discípulo na visão de Paulo
2 de Agosto de 2008
O Discípulo na visão de Paulo
Há muitos conceitos sobre discípulo. Cada autor tenta definir o “discípulo” de acordo com a sua visão e experiência inclusive.
Para o autor cristão evangélico, “discípulo” está sempre relacionado ao ensino, aprendizado, aluno ou seguidor de Cristo. Está sempre voltado para o relacionamento entre o que ensina e o que aprende: mestre e aluno que estuda a Bíblia.
Objeto de Estudo
2a carta de Paulo a Timóteo.
Objetivo Geral
Falar sobre o discipulado como forma de aprendizado.
Objetivo Específico
Pesquisar sobre discípulo na visão de Paulo baseado na 2a carta a Timóteo.
Pergunta de Partida
O que é discípulo?
Qual é a visão de Paulo sobre o discípulo?
Justificativa
Ser discípulo é algo interessante, implica em muitas renúncias, vida de louvor, amor e serviço a Deus. É um tema escolhido pelo Mestre de “discipulado” que muito tem ensinado e deseja obter resultados positivos. O grande teólogo Dietrich Bonhoeffer, em seu livro “Discipulado” tratando da chamada ao discipulado, menciona o trecho bíblico sobre Jesus dizendo: “Quando ia passando”.
Referencial Teórico
Segundo Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, em seu dicionário de Língua Portuguesa, “discípulo” é o que recebe ensino de alguém. Aquele que aprende, aluno, aquele que segue as idéias ou doutrinas de outrem. Para Juan Carlos Ortiz, ser discípulo é aquele que segue a Jesus Cristo.
Segundo Keith Philips, discipulado é o relacionamento do mestre e aluno baseado no modelo de Cristo e seus discípulos, no qual o mestre reproduz tão bem o aluno a plenitude da vida que tem em Cristo, que o aluno é capaz de treinar outros para ensinarem a outros.
Dentre as muitas definições, o que mais importa é esclarecer que o discípulo não é mais do que seu mestre e Cristo na qualidade de Mestre é o Único que deve ser seguido sem temor.
De acordo com as escrituras Sagradas, Jesus deixou o exemplo: “E quando Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito” (João 19:30). Nesse texto ele demonstra que realizou a obra redentora. Seu objetivo foi cumprido. Entregou-se totalmente (a própria vida) por seus discípulos e toda humanidade. É como se estivesse dizendo ao Pai que tudo que Ele (o Pai) queria foi feito.
Também o apóstolo Paulo deixou o seu exemplo e de forma mui prazerosa, vale refletir na carta de 2a Timóteo, objeto do nosso estudo, tendo como versículo chave: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé”. (2a Timóteo 4:8).
As epístolas a Timóteo (1a e 2a) são consideradas pastorais. Há quem conteste a autoria de Paulo nessa carta (2a Tm.). Também há quem a considere uma carta Paulina e outros já acham que apenas alguns fragmentos são de Paulo genuinamente, sendo reunidos após a sua morte. Existem estudiosos modernos que mantém a integridade e a autenticidade da autoria paulina.
Falaremos do capítulo 2 com vistas ao discipulado. De acordo com a sua divisão, segue uma exortação à paciência no sofrimento (2:1-13) e pela conduta pessoal como obreiro aprovado (2:14-26).
De acordo com o esboço de David Hale, os versos (2:1-13) compreendem exortação para se fortificar na graça e Cristo, o dever de treinar mestres que é uma ênfase ao discipulado, compartilhar em sofrimento com Paulo (2:3-7) incentiva o discipulando seguir o discipulador em todas as circunstâncias, sofrendo, lutando como soldado resignado (2:4) atleta (2:5) lavrador, perseverante (2:6-7), muito amor, semelhante à semente do evangelho que é plantado e cuidadosamente se aguarda o fruto.
Os versos 2:8-13 ensinam guardar em mente a relação com Jesus Cristo dando testemunho do que é receber o evangelho e viver o evangelho; de modo que o próximo esteja participante da alegria, sofrimento e sendo fiel ao Senhor, mostrando ainda que apesar da fraqueza humana, se formos infiéis, Deus permanece Fiel, ensinando o discípulo a confiar e continuar firme com Jesus. Também fala da vitória de Jesus (2:8), o sofrimento de Paulo no seu ministério e os resultados de fidelidade e infidelidade.
Dos versos 2:14-26 podemos resumir como “Exortação” a lealdade à palavra de Deus, ensinando os deveres do Ministro (2:14-26) é o discípulo mais preparado para ensinar a outros, evitando métodos errados (2:14-18), construir em cima do firme fundamento de Deus (2:19), mostrando á única fortaleza espiritual, firmeza no Senhor Jesus.
Servir a Deus em sua casa com devoção, disciplina e persuasão (2:20-26) é orientação para se ter uma conduta exemplar, verdadeiro testemunho de vida cristã. È uma convocação a exercer o ministério pastoral, instruindo com mansidão até os que são adversários, oferecendo oportunidade de arrependimento.
Segundo Gerhard Horster, a carta é recomendada a todo pregador do evangelho. Essa carta encoraja e leva o individuo a correção de comportamento.
Na visão de John Stott em seus estudos bíblicos, o texto de 2a Timóteo 2:1-13, Paulo clama a Timóteo para tomar decisão firme diante dos deslizes que poderão surgir.
Paulo indica a espécie de ministério para o qual Timóteo deveria se fortalecer. Ensina passar adiante o que aprendeu a outros. Para Stott, Paulo transmite uma só lição, comparando a vida secular com soldados, atletas, lavradores e com experiência espiritual (de Cristo, sua própria, de todo cristão) ele insiste que benção vem através de dor, fruto através de trabalho, vida através de morte e glória através de sofrimento. É uma lei invariável da vida e do serviço cristão. Não devemos esperar tudo fácil.
Nos versos 14 a 26 do capítulo 2, Timóteo passa a ser professor na transmissão da fé. Como servos do Senhor, precisamos ser educados e gentis.
Bibliografia
Hale, Broadus David – Introdução ao Estudo do NT – São Paulo – Hagnos 2001
Horster, Gerhard – Introdução e Síntese do NT – Ed. Evangélica Esperança – Curitiba / PR
Stott, John – Firmes na Verdade – Estudos Bíblicos de 2a Timóteo
|